O que é slug de URL
Slug é o pedaço do endereço que descreve a página, aquele final em letra minúscula com hífen no lugar do espaço. Em vez de explicar a regra e ir embora, baixamos 1.390 endereços de 6 veículos brasileiros e medimos o que eles fazem. Nenhum usa acento, maiúscula ou sublinhado — e em 83,4% deles o endereço é o título passado por uma conversão automática.
O título da página
Pão de Queijo: a Receita da Minha Avó!
O slug que sai dele
pao-de-queijo-a-receita-da-minha-avo
Essa conversão é o modo “endereço de site” do conversor daqui, e é ela que gerou todos os endereços desta página — inclusive os que a gente diz que os jornais publicaram.
Onde o slug começa e termina
Num endereço como semlerolero.com.br/blog/o-que-e-slug-de-url, o slug é só o último pedaço: o-que-e-slug-de-url. O que vem antes é domínio e pasta, e tem outro dono — normalmente a estrutura do site, não quem escreveu o texto.
A palavra vem da redação de jornal em inglês, onde slug era o apelido curto que a matéria carregava enquanto não tinha título final. O sentido sobreviveu: é o nome de arquivo da página, feito para caber num endereço e para uma pessoa entender antes de clicar.
Ele existe porque o endereço tem regras de escrita que o texto não tem. O RFC 3986 separa os caracteres que podem aparecer crus dos que precisam ser codificados — e espaço, acento, interrogação e barra estão do lado de lá. Converter o título é o que evita que o endereço vire uma sopa de %20.
O que 1.390 endereços brasileiros fazem
Baixamos o sitemap de notícia de 6 domínios em português. Esse arquivo traz o par título e endereço declarado pelo próprio site, o que evita a gente adivinhar qual é o título de cada matéria. Depois rodamos o título na conversão da ferramenta e comparamos com o endereço que o veículo publicou.
| Veículo | Endereços | Igual ao nosso |
|---|---|---|
| Revista Galileu | 720 | 87,4% |
| Metrópoles | 356 | 79,5% |
| InfoMoney | 141 | 85,8% |
| Olhar Digital | 104 | 76,9% |
| Canaltech | 44 | 56,8% |
| gov.br | 25 | 84% |
| Total | 1.390 | 83,4% |
Medido em 2026-08-09. Sitemaps de notícia, que trazem no máximo os últimos dois dias de publicação de cada veículo — é uma fotografia, não o arquivo inteiro deles.
As cinco coisas que ninguém faz
Esta é a tabela que justifica o artigo, e ela é curta porque o resultado foi limpo. Não é “quase ninguém”: é zero em 1.390 endereços, nos seis domínios, do jornal de tecnologia ao portal do governo federal.
| Aparece? | O quê | Por que importa |
|---|---|---|
| 0 | Acento ou cedilha | Fora do ASCII, o endereço viaja codificado em %C3%A7 e afins — e é o que a pessoa vê ao colar o link. |
| 0 | Letra maiúscula | O caminho depois do domínio diferencia maiúscula de minúscula: /Contato e /contato podem ser duas páginas. |
| 0 | Sublinhado | A documentação do Google recomenda hífen para separar palavras, por escrito. |
| 0 | Espaço ou pontuação | Espaço vira %20 e o resto some ou quebra ao copiar de um aplicativo para outro. |
| 0 | Só número, sem palavra | É o endereço que não diz nada a ninguém antes de clicar — nem a você, seis meses depois. |
O título vira o endereço, e é só isso
Em 83,4% dos casos o endereço publicado é exatamente o título convertido — sem escolha editorial nenhuma no meio. Abaixo, seis matérias reais em que isso acontece. A ferramenta daqui produz a coluna da direita a partir da coluna da esquerda, e esta página não compila se alguma linha deixar de bater.
Título
Por que ter músculos pode proteger você contra o Parkinson
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
por-que-ter-musculos-pode-proteger-voce-contra-o-parkinson
Título
Morte violenta de estrela expôs buraco negro escondido; entenda
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
morte-violenta-de-estrela-expos-buraco-negro-escondido-entenda
Título
Existiram dinossauros pequenos? Estudo investiga um dos maiores mistérios da evolução
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
existiram-dinossauros-pequenos-estudo-investiga-um-dos-maiores-misterios-da-evolucao
Título
125 anos (e contando): onde fica a lâmpada acesa há mais tempo no mundo
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
125-anos-e-contando-onde-fica-a-lampada-acesa-ha-mais-tempo-no-mundo
Título
Papagaio invade partida de futebol juvenil e ataca jogador duas vezes; veja vídeo
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
papagaio-invade-partida-de-futebol-juvenil-e-ataca-jogador-duas-vezes-veja-video
Título
Cientistas descobrem o que impediu alguns cérebros humanos de se decomporem por milênios
Endereço publicado, e o que a ferramenta devolve
cientistas-descobrem-o-que-impediu-alguns-cerebros-humanos-de-se-decomporem-por-milenios
As três coisas que somem em toda linha: o acento, a pontuação (dois-pontos, ponto e vírgula, interrogação, parêntese) e a maiúscula. O que sobra é letra, número e hífen.
Os 12,9% que não seguem o título
O resto se divide em dois. Em 3,7% alguém só cortou palavras, mantendo a ordem — e o que cai é quase sempre o número da lista e o verbo de chamada (“veja”, “saiba”, “entenda”). Em 12,9% alguém reescreveu.
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Repare no segundo: o título tem um subtítulo depois da barra vertical, e o endereço para antes dele. É a decisão editorial mais comum que a medição achou — o endereço fica com a parte que identifica, e o resto do título fica na página.
As palavrinhas: o conselho que a prática desmente
Procure “slug de url” e você vai ler, em quase toda página, que artigos e preposições devem sair do endereço. É a regra mais repetida do assunto. Ela não descreve o que acontece:
| Medida | Resultado |
|---|---|
| Endereços com ao menos um “de”, “da”, “que”, “em”… | 1.317 de 1.390 = 94,7% |
| Fatia de todas as palavras do corpus que são palavrinha | 26,7% (4.349 de 16.270) |
Um quarto de tudo que está escrito nesses endereços é palavra sem peso de busca, e quem publica assim é justamente quem tem equipe de SEO. A explicação não é preguiça: tirar as palavrinhas quebra a leitura em voz alta do endereço, e a documentação do Google pede “palavras legíveis”, não palavras-chave espremidas.
O conselho tem uma origem real — ele fazia sentido quando o endereço era um sinal forte de posicionamento e cabia contar palavra por palavra. Hoje o custo de mantê-las é praticamente nada e o benefício de tirá-las é do mesmo tamanho. Se você tirar, tire porque encurtou; não porque alguém disse que o Google gosta.
Quanto custa um acento no endereço
Nos seis veículos o acento não aparece nenhuma vez, então não havia o que medir ali. Fomos medir onde ele existe: a Wikipédia em português, o maior site em pt-BR que mantém acento na URL. Sorteamos 1.500 artigos pela API dela e montamos o endereço de cada um.
| Medida | Resultado |
|---|---|
| Títulos com caractere fora do ASCII | 452 de 1.500 = 30,1% |
| Crescimento do endereço ao ser codificado | +11,8% |
| Pior caso do sorteio | Ё → %D0%81 |
O que isso quer dizer na prática é mais fácil de ver do que de explicar. À esquerda, o endereço como a Wikipédia o escreve; no meio, como ele viaja quando você copia e cola em qualquer lugar; à direita, o que a ferramenta daqui devolveria:
Sistema_trifásico
17 caracteres · vira ↓ · 22 caracteres (+5)
Sistema_trif%C3%A1sico
Sem acento: sistema-trifasico
Clã_do_Pé
9 caracteres · vira ↓ · 19 caracteres (+10)
Cl%C3%A3_do_P%C3%A9
Sem acento: cla-do-pe
Santa_Casa_da_Misericórdia_de_Castelo_Branco
44 caracteres · vira ↓ · 49 caracteres (+5)
Santa_Casa_da_Miseric%C3%B3rdia_de_Castelo_Branco
Sem acento: santa-casa-da-misericordia-de-castelo-branco
Resolução_68/262_da_Assembleia_Geral_das_Nações_Unidas
54 caracteres · vira ↓ · 74 caracteres (+20)
Resolu%C3%A7%C3%A3o_68/262_da_Assembleia_Geral_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas
Sem acento: resolucao-68-262-da-assembleia-geral-das-nacoes-unidas
E a Wikipédia continua em primeiro lugar
Aqui está a parte que os guias não contam. A Wikipédia usa acento e usa sublinhado — as duas coisas que toda lista de boas práticas proíbe — e ranqueia em primeiro para meio dicionário da língua portuguesa. Isso não é contradição: é a medida real do peso do endereço, que é pequeno.
O prejuízo do acento não é de posicionamento, é de manuseio. O endereço codificado é o que aparece quando alguém cola o link num e-mail, num PDF ou numa mensagem, e é ilegível. Ele quebra em sistemas antigos que não esperavam UTF-8. E ele deixa de ser digitável: ninguém escreve %C3%A7 à mão.
Quando tirar acento é uma decisão maior que o endereço, e ela tem artigo próprio aqui — com oito municípios brasileiros diferentes que viram o mesmo nome quando o acento sai. No endereço, a resposta é simples: tire sempre.
Hífen ou sublinhado
Esta é a única regra do assunto que tem fonte oficial direta, e ela é de uma linha. A documentação do Google diz, em português:
“Recomendamos o uso de hífens (-) em vez de sublinhados (_) para separar palavras nos URLs.”
A mesma página pede palavras legíveis em vez de longos números de ID e avisa que “os caracteres do intervalo não ASCII precisam ser codificados por porcentagem” — que é exatamente o que a medição da Wikipédia mostra acontecendo.
No corpus, os 1.390 endereços usam hífen e nenhum usa sublinhado. É o raro caso em que a recomendação oficial e a prática do mercado batem sem sobra.
De que tamanho, afinal
Não existe limite publicado pelo Google, e a documentação de estrutura de URL não cita nenhum número. O que existe é o que as pessoas fazem:
| Mínimo | Mediana | 9 em 10 até | Máximo | |
|---|---|---|---|---|
| Caracteres | 17 | 70 | 83 | 126 |
| Palavras | 3 | 12 | 15 | 20 |
A mediana de 70 caracteres é o número mais útil desta página para quem está escrevendo agora, e ele é bem maior que os “3 a 5 palavras” que circulam. Doze palavras é a mediana — o endereço acompanha o título inteiro.
Os extremos dão a régua do que é exagero para cada lado. O mais curto do corpus é frase-do-dia-1855, que não diz nada sem a data ao lado. O mais longo tem 126 caracteres:
zoologico-que-apareceu-em-serie-da-netflix-e-autuado-apos-leopardo-ameacado-perder-a-pata-e-capivara-morrer-durante-reproducao
Ele conta a notícia inteira e não sobra nada para a página. Se o seu está passando de 83 caracteres, você está fora de nove entre dez endereços publicados por gente que faz isso profissionalmente.
Data e pasta antes do slug
A outra dúvida constante é se o caminho deve carregar data e categoria. A medição não responde “certo ou errado”, mas responde o que se faz:
| Pedaços no caminho | Endereços | Fatia |
|---|---|---|
| 2 | 433 | 31,2% |
| 3 | 108 | 7,8% |
| 5 | 487 | 35% |
| 6 | 362 | 26% |
59,3% dos endereços trazem ano e mês antes do slug. É herança de jornal, e tem um preço que só aparece depois: um texto que você atualiza todo ano fica com uma data velha no endereço para sempre — ou você muda o endereço, que é justamente o que não se faz.
Aqui neste site o caminho tem dois pedaços (/blog/ mais o slug) e não tem data, de propósito. A decisão de quantas pastas usar é de arquitetura do site, não de quem escreve o texto — mas se ela é sua, saiba que o Google não paga a mais por profundidade nenhuma.
Depois de publicado, o endereço não é mais seu
Esta é a regra que custa dinheiro quando é quebrada, e a única desta página que não é medição nossa: quem já está linkando para você linkou para aquele endereço.
Se precisar mudar mesmo assim, a documentação do Google diz o que fazer:
“Se você precisar mudar o URL de uma página conforme ele é exibido nos resultados do mecanismo de pesquisa, recomendamos que use um redirecionamento permanente do lado do servidor sempre que possível.”
A mesma página sobre redirecionamentos acrescenta a condição que costuma ser ignorada: use o permanente “quando tiver certeza de que o redirecionamento não será revertido”. Ela não promete prazo nem transferência integral de nada — trata o redirecionamento como indicador de qual endereço é o canônico.
Conclusão prática: gaste os cinco minutos no endereço antes de publicar. É mais barato que a alternativa.
Como escrever o seu
- Comece pelo título. Em 83,4% dos endereços medidos foi só isso que aconteceu. Escrever um slug “otimizado” diferente do título é trabalho que a maioria de quem vive disso não faz.
- Tire o acento, a maiúscula e a pontuação. Zero em 1.390 endereços, e é a única unanimidade da medição inteira.
- Separe com hífen. Está escrito na documentação do Google, e o corpus inteiro obedece.
- Deixe as palavrinhas em paz se tirá-las quebrar a leitura. 94,7% dos endereços medidos têm alguma.
- Mire a mediana de 70 caracteres e desconfie acima de 83.
- Não mude depois. E se mudar, redirecione.
Os cinco primeiros passos são o que o modo “endereço de site” do conversor daqui faz de uma vez: cole o título, copie o endereço. O sexto é com você.
O que esta página não mediu
- O site brasileiro médio. São 6 veículos com equipe, cinco de imprensa e um do governo federal. WordPress de comércio de bairro, loja em construtor e blog de empresa não entraram — e é exatamente onde o endereço costuma sair torto. A unanimidade vale para quem faz isso profissionalmente.
- Se o endereço melhora posição. Não medimos posicionamento e não temos como. O que a página afirma é o que os sites fazem e o que a documentação do Google diz, nada além.
- O arquivo inteiro de cada veículo. Sitemap de notícia traz os últimos dias. Uma fotografia de 2026-08-09, não a história deles.
- Outras línguas. A conversão da ferramenta descarta o que não vira letra latina, então título em russo, árabe ou japonês sai vazio — e a tela avisa em vez de fingir. Para esses casos o endereço codificado é a única saída, e é o que a Wikipédia faz.
Medição própria, feita em 2026-08-09 e conferida em 9 de agosto de 2026. Os números desta página saem dos módulos que a produziram: nenhum foi digitado à mão, e os seis exemplos de conversão são conferidos contra a ferramenta toda vez que o site é publicado.