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As palavras que entregam um texto escrito por IA

Texto de gerador não erra gramática. Ele repete um punhado de expressões, e é por elas que a gente reconhece. A lista abaixo é a mesma que o analisador daqui procura, publicada inteira, com o que cada expressão cobra de quem lê.

As 222 expressões, por família

Cada família é um jeito diferente de ocupar espaço sem dizer nada. A coluna da direita não explica o significado da expressão: diz o que ela custa ao texto. Onde existe troca óbvia, ela vem junto.

Muleta 35

Expressão que anuncia que algo importante vem a seguir, em vez de dizer a coisa. Sai inteira sem levar sentido junto.

ExpressãoO que ela custa
apesar do fato de quecinco palavras onde “embora” resolve; troque por embora
cabe destacar queavisa que vem coisa importante em vez de dizer a coisa
cabe ressaltar quemesma promessa vazia, com outro verbo
convém destacarformalidade de ofício; o texto começa depois dela
de forma geralavisa que o que vem não vale sempre, sem dizer quando não vale
de maneira geralmesma ressalva sem conteúdo, com outra palavra
dito issoencena uma virada de raciocínio que a frase seguinte não faz
é digno de notadá nota de importância em vez de dar a informação
é essencial compreender quemanda o leitor achar importante em vez de mostrar por quê
é fundamental entender quemesma ordem, com outro par de palavras
é importante destacar quea muleta mais comum do texto gerado; sai inteira sem falta
é importante lembrar quelembra o leitor de algo que ele ainda não leu
é importante levar em consideraçãoa muleta mais comprida da família; seis palavras antes do assunto
é importante mencionar quemenciona que vai mencionar
é importante notar quemanda notar; o texto que mostra dispensa a ordem
é importante ressaltar quevariação da mesma muleta, com o mesmo custo
é interessante notar quedecide pelo leitor que aquilo é interessante
é preciso ter em mente quetrês palavras de aviso antes da informação
é válido dizer quepede licença para dizer o que já podia ter dito
em outras palavrasse a primeira versão precisou de tradução, o problema é ela
faz-se necessáriovoz de parecer jurídico; esconde quem precisa fazer o quê; troque por diga quem precisa fazer: “a equipe precisa”, “o site exige”
não podemos deixar de mencionaranuncia um dever de mencionar que ninguém cobrou
no que diz respeito acinco palavras onde “sobre” resolve; troque por sobre
pode-se dizer quepede licença impessoal para afirmar; ou afirme, ou corte
por assim dizerpede desculpa pela palavra escolhida; troque a palavra
quando se trata deabre parágrafo sem dizer nada; o assunto vem depois dela
torna-se necessáriomesma voz de parecer, com outro verbo
uma possibilidade éabre alternativa sem se comprometer com nenhuma
vale a pena mencionaravalia se vale a pena em vez de mencionar
vale destacar quea muleta curta; some sem deixar buraco
vale lembrar quemesma muleta, com verbo de memória
vale notar quemanda notar; mostrar seria melhor
vale ressaltar quea segunda mais comum, colada na primeira
vale sublinharsublinha por fora o que o texto não sustenta por dentro
você pode considerarconselho que evita aconselhar; troque por recomende de verdade, ou explique quando cada opção serve

Adjetivo vazio 37

Palavra de importância que não mede nada. Se tudo é fundamental e crucial, nada é — e o leitor não fica sabendo o tamanho de coisa alguma.

ExpressãoO que ela custa
abrangentediz que cobre muita coisa sem dizer o que cobre
altamenteadvérbio de intensidade que não intensifica nada
cruciala segunda palavra favorita do texto gerado, depois de fundamental
de pontaelogio de catálogo; ponta de quê, e desde quando
dinâmicomovimento declarado que nunca é descrito
em constante evoluçãotudo está sempre mudando; a frase não informa nada
essencialimportância declarada, nunca demonstrada
estratégicopalavra de reunião; cabe em tudo e não descreve nada
exemplarnota máxima sem critério de nota
expressivosubstitui o número que faria o trabalho; troque por escreva quanto: “32%”, “o dobro”, “três em cada dez”
extremamentegrita para compensar a falta de medida
fator-chavechave de importância que não abre nada
fundamentala palavra mais gasta do gênero; se tudo é fundamental, nada é
imprescindívelsuperlativo de importância, sem nada por baixo
incontestávelproíbe a contestação em vez de vencê-la
indispensávelmesmo superlativo, com outra palavra
inestimávelvalor que se recusa a ser estimado
inigualávelsuperlativo de comparação sem nenhum comparado
inovadorelogio de release; quem inova mostra o que mudou
intrincadocomplexidade declarada; o texto não mostra a complicação
louvávelelogio moral em texto que devia informar
meticulosocapricho declarado; mostre o cuidado, não o adjetivo
multifacetadomuitas faces, nenhuma nomeada
notáveladjetivo de nota alta sem nota nenhuma
poderosoforça declarada; o leitor não descobre para quê
primordialpalavra solene para dizer “importante” de novo
relevanteimporta para quem, e quanto? a palavra não responde
revolucionáriopromete ruptura; quase sempre é uma versão nova
robustoelogio técnico vago; diz que aguenta sem dizer quanto
sem precedentesquase sempre há precedente; quem escreve não checou
significativosignifica “grande” sem arriscar um número; troque por troque pelo número que você tem
sinérgicopalavra de consultoria; some sem que ninguém sinta falta
substancialmesma fuga do número, em roupa formal
transformadortransforma o quê, em quê, em quanto tempo
valiosovalor declarado; o leitor queria saber o preço e o retorno
vibranteadjetivo de folheto de turismo aplicado a qualquer coisa
vitalquestão de vida ou morte em texto sobre planilha

Conector 28

Nenhum conector é errado sozinho: o que denuncia é a frequência e a mania de abrir parágrafo com um. Esta categoria conta, não condena.

ExpressãoO que ela custa
ademaisconector de peça de advogado; em texto comum soa emprestado
além dissoo conector mais repetido do texto gerado, sobretudo abrindo parágrafo
assim sendoduas palavras para dizer “então”
certamentecerteza declarada para não precisar de argumento
com isso em mentemanda guardar algo que a frase anterior não fixou
consequentementequinze letras onde “por isso” dá conta
contudoum dos quatro “mas” formais que costumam aparecer juntos
dessa formaconector de conclusão usado no meio do raciocínio
dessa maneirairmã da anterior; as duas no mesmo texto denunciam o molde
desse modoterceira forma da mesma ideia
diante dissoabre parágrafo apontando para trás em vez de andar
em contrapartidapromete o outro lado da moeda; às vezes não há moeda
entretanto“mas” de gravata
nesse contextocontexto nenhum foi dado; a expressão finge que sim
nesse sentidoaponta para um sentido que o parágrafo anterior não fixou
no entantocorreto e comum; o que pesa é a quantidade
outrossimpalavra de petição; num texto de site soa a fantasia
paralelamenteencena simultaneidade que o texto não precisa
pelo contrárioexige uma afirmação contrária que muitas vezes não veio
por conseguinteconclusão em latim disfarçado
por outro ladoexige um lado anterior; muitas vezes ele não existe
por sua vezdistribui a vez entre sujeitos que não estavam em fila
portantoconclusão frequente demais para tantas conclusões
posto issojuridiquês de transição
sem dúvidaelimina a dúvida por decreto, e costuma vir sozinho
sendo assima mesma conclusão, invertida
simultaneamenteadvérbio comprido para “ao mesmo tempo”
todaviao quarto “mas” formal; raro na fala, comum no molde

Fórmula retórica 21

Molde de frase de efeito, sempre com o mesmo desenho. Impressiona na primeira vez e vira tique na terceira.

ExpressãoO que ela custa
a chave para … estápromete a chave única de um assunto que tem várias
a pergunta que fica éencena suspense antes de uma resposta que já vinha
a verdade é quesugere que o parágrafo anterior era mentira
desempenha um papel cruciala mesma fórmula do papel, com o adjetivo trocado
desempenha um papel fundamentala construção-símbolo do texto gerado; “é importante” em cinco palavras; troque por diga o que a coisa faz: “a IA corta o tempo de revisão pela metade”
e isso muda tudoanuncia consequência total sem nomear uma só
e não é para menosconcorda com uma reação que ninguém teve
está longe de ser apenasmolde de grandiosidade; o “apenas” nunca foi dito por ninguém
mais do que … émolde de elevação; o assunto vira sempre algo maior
não apenas … como tambémo par simétrico que o gerador de texto adora fechar
não basta … é precisosermão de duas partes, com a segunda sempre óbvia
não é apenas … énega uma leitura pequena que ninguém tinha feito
não é apenas … mas tambémo paralelismo negativo mais citado como marca de IA
não é por acaso queinsinua desígnio onde há coincidência
não se trata apenas de … masa fórmula-símbolo do texto de IA em português
não se trata de … mas deirmã da fórmula-símbolo, sem o “apenas”
o grande diferencial élinguagem de proposta comercial dentro de texto informativo
o que antes era … hoje émolde de antes e depois, com o antes inventado na hora
o segredo está emnão há segredo; há trabalho, e ele não cabe numa frase
quando falamos de … estamos falando degasta uma frase inteira para reapresentar o assunto
vai muito além deamplia o tema para não ter que aprofundá-lo

Abertura template 26

Começo que fala do texto em vez de começar o texto. Só conta nos primeiros parágrafos.

ExpressãoO que ela custa
ao longo deste artigodescreve o passeio em vez de andar
cada vez mais pessoasmultidão sem número; quantas pessoas, e a mais do que antes?
com o avanço da tecnologiaabertura genérica que serve para qualquer texto de qualquer década
confira a seguirfala com o leitor sobre a página, não sobre o assunto
descubra comochamada de anúncio colada no começo do texto
em um mundo cada vez maisa abertura de redação de vestibular que o gerador herdou
hoje em diaabre no presente genérico; qualquer texto de qualquer ano cabe
imagine sópede imaginação em vez de dar informação
na era digitalépoca genérica; qualquer texto dos últimos trinta anos cabe aqui
neste artigoo texto anuncia a si mesmo antes de existir
neste textomesmo anúncio, com outra palavra
no cenário atualcenário que nunca é descrito
no mundo acelerado de hojetradução literal da abertura mais batida do inglês gerado
no mundo atualabre grande para não precisar ser específico
no mundo de hojemesma abertura, uma palavra mais curta
nos dias de hojemarca de tempo que não marca tempo nenhum
nos últimos anosquantos anos, e o que mudou neles?; troque por diga o período: “desde 2023”, “nos últimos dois anos”
prepare-se paraprepara o leitor para um texto, não para um assunto
se você chegou até aquifala da página com o leitor em vez de falar do assunto
vamos dar uma olhada mais de pertoconvida para olhar em vez de mostrar
vamos descobrirconvite de excursão; o leitor veio pela informação
vamos entendernarra o que o texto vai fazer em vez de fazer
vamos explorara abertura mais reconhecível do texto gerado
vamos falar sobreanuncia a conversa que já podia estar acontecendo
você já parou para pensarpergunta retórica que ninguém responde
você vai aprenderpromete aula; o texto raramente cumpre a ementa

Fecho template 24

Final que resume o que acabou de ser lido, sem acrescentar nada. Só conta nos últimos parágrafos.

ExpressãoO que ela custa
agora é com vocêpassa a bola ao leitor no lugar da conclusão
agora que você já sabedeclara aprendizado que o texto não verificou
apesar dos desafioso molde “desafios, mas futuro promissor” fecha metade dos textos gerados
concluindoavisa que vai concluir em vez de concluir
diante de tudo issoempilha o texto inteiro para não escolher o que importou
e isso é só o começopromete continuação que ninguém vai escrever
em conclusãoo fecho-marca do texto gerado; o leitor já viu que é o fim
em resumoresume o que acabou de ser lido, sem acrescentar nada
em sumamesmo resumo, em roupa formal
em última análiseanuncia a análise final de uma análise que não houve
em um cenário cada vez maisfecha com um futuro vago para não terminar em nada
esperamos que este artigofala da página com o leitor em vez de fechar o assunto
espero ter ajudadodespedida de atendimento colada no fim do texto
fica claro quedeclara clareza no lugar de produzi-la
não restam dúvidas de queproíbe a dúvida por decreto
no fim das contasconclusão de conversa de bar sem a conta feita
o futuro reservaprevisão sem responsável e sem prazo
o importante é lembrar queelege o importante na última linha, tarde demais
perspectivas futurastítulo de seção que promete futuro e entrega generalidade
por fimanuncia o fim que a última linha já anuncia sozinha
resta claro quedeclara clareza no lugar de produzi-la
resumindoavisa que vai resumir em vez de resumir
só o tempo diráencerra sem opinião, que é o que o leitor tinha vindo buscar
vale a pena investirrecomendação de folheto no lugar da conclusão

Autoridade sem fonte 23

Empresta credibilidade de alguém que nunca é nomeado. Com o nome e o link vira dado; sem, é boato bem-vestido.

ExpressãoO que ela custa
acredita-se quequem acredita? a frase esconde o sujeito de propósito
algumas fontesfonte sem nome é fonte que não existe
críticos argumentamcríticos anônimos sustentando o lado que convém
dados revelamdados de quem, de quando, medindo o quê; troque por nomeie a fonte e ponha o link, ou corte a frase
de acordo com estudosestudos no plural genérico, sem um único título
diversas fontesmesma multidão anônima, com outra palavra
diversos autoresbibliografia sem nome nenhum
é consenso queconsenso declarado costuma ser opinião do autor
especialistas afirmamespecialistas que nunca são nomeados; troque por nomeie um especialista e o que ele publicou
especialistas apontammesma autoridade emprestada, com outro verbo
está comprovado quecomprovado por quem, em que estudo
estima-se queestimativa sem autor e sem método
estudos apontamestudos no plural, nenhum com nome
estudos mostrama forma mais comum de emprestar credibilidade sem devolver; troque por cite o estudo com nome, ano e link
muitos acreditammuitos quantos, e por quê
números mostramnúmeros que não aparecem no texto
observadores apontamobservadores que ninguém observou
pesquisadores afirmampesquisador sem nome e sem instituição; troque por nomeie quem pesquisou e onde saiu publicado
pesquisas indicampesquisa sem instituição é boato com sotaque acadêmico
pesquisas recentesrecentes de quando? sem data, envelhece no dia seguinte
relatórios do setorrelatório de setor nenhum, publicado por ninguém
sabemos quearrasta o leitor para um consenso que ele não deu
segundo especialistasfonte no plural genérico, que é o mesmo que nenhuma

Positividade automática 28

Entusiasmo de folheto: tudo transforma, revoluciona e traz benefícios, sem uma linha sobre custo, limite ou risco.

ExpressãoO que ela custa
abre um leque de possibilidadesleque que nunca é aberto; quais possibilidades
agregar valorvalor para quem, medido como
alavancarverbo de apresentação de vendas dentro de texto informativo
aposta certeiragarante acerto sem risco declarado
as possibilidades são infinitasinfinito é o número que se usa quando não se tem nenhum
cada vez mais relevantecrescimento sem medida, importância sem critério
de tirar o fôlegosuperlativo de folheto turístico
deixar sua marcamarca de quê, e vista por quem
explorar todo o potencialpotencial total que ninguém mediu
ferramenta poderosaelogio padrão; poderosa em quê, comparada a quê
grande aliadopersonifica a ferramenta e esconde o que ela custa
impulsionarempurra sem dizer para onde nem quanto
levar ao próximo nívelnível seguinte de quê, saindo de qual
maximizar a eficiênciamáximo prometido sem uma medida de eficiência
maximizar resultadospromessa de máximo sem medida nem custo
não faltam motivosdeclara abundância de motivos e costuma listar um
no coração degeografia afetiva de material promocional
otimizar processosotimizar é o verbo que se usa quando não se sabe o que muda; troque por diga o que fica mais rápido, mais barato ou mais simples
revolucionando a forma comorevolução declarada em tempo presente contínuo
solução idealideal para quem, e em que caso deixa de ser
tem potencial para transformarpotencial é a palavra que segura a promessa que não se cumpre
transformando a maneira comomesma transformação genérica, com outro gerúndio
traz inúmeros benefíciosinúmeros é zero contado de outro jeito; troque por liste dois benefícios concretos, com o custo de cada um
um divisor de águasmetáfora gasta para dizer que algo é importante
um marcomarco histórico decretado no calor da hora
veio para ficarclichê de manchete; não diz nada sobre o assunto
veio para revolucionarentusiasmo de release de lançamento
verdadeiro testemunhotradução literal de “a testament to”, a fórmula-mor do inglês gerado

Nem toda marca pesa igual

O desconto é por marca a cada mil palavras, e o teto é o máximo que uma família sozinha consegue tirar da nota.

FamíliaDesconto por marcaTeto
Muleta318
Fórmula retórica315
Abertura template2,510
Fecho template2,510
Autoridade sem fonte212
Positividade automática212
Adjetivo vazio18
Conector0,66

Conferido em 8 de agosto de 2026.

Muleta e fórmula retórica descontam cinco vezes o que um conector desconta. A diferença saiu de medição, não de gosto. Conector e adjetivo vazio são as duas famílias que texto humano usa sem problema nenhum, e um post de mil palavras tem direito a algumas dessas marcas antes de a nota cair.

O teto existe porque nenhum sinal isolado prova coisa alguma. Quem repete a mesma muleta quinze vezes tem um problema, não quinze.

Nenhuma dessas palavras é proibida

Em agosto de 2026 os 212 termos testáveis do dicionário rodaram contra um corpus de texto humano: posts de blog brasileiro arquivados entre 2018 e 2021, verbetes da Wikipédia em revisão de 2021, notícias da Agência Brasil e crônicas de Machado de Assis. Cento e cinquenta e quatro deles não apareceram uma vez sequer.

As quatro densidades mais altas foram “no entanto”, com 0,27 aparição por mil palavras, “fundamental” com 0,22, “além disso” com 0,18 e “dessa forma” com 0,12. As quatro continuam na lista, e continuam nas duas famílias de menor peso. O que denuncia texto gerado não é a presença dessas palavras: é a densidade, vários múltiplos acima disso.

Duas candidatas foram medidas e recusadas. “Atualmente” aparece nos cinco registros do corpus, blog incluído, e até numa crônica de 1880: isso é português comum. “Na verdade” mediu seguro, 0,04 por mil palavras no blog, mas a única fonte que a apontava como marca de IA era tradução automática de uma lista em inglês. Ser inofensiva não prova que a expressão denuncie alguma coisa, e sem prova dos dois lados ela ficou de fora.

Metade do sinal não está nas palavras

Onze medidas de forma rodam junto com o dicionário, e a mais pesada vale 34 pontos: o medo de afirmar. São as palavras com que um texto se protege de dizer o que veio dizer, “talvez”, “costuma”, “tende a”, “geralmente”, mais o padrão “pode” seguido de infinitivo, que é o jeito mais comum de hesitar sem usar nenhuma delas. O pior texto humano do corpus hesita 9,8 vezes por mil palavras. Os textos gerados de referência, de 8,5 a 17,4.

A segunda mais pesada conta dado conferível: números dentro de frase, por mil palavras. O artigo humano menos numérico do corpus tem 5,5, e nenhum desce disso. Um texto gerado sem direção cita “60 segundos” e “20%” em mil palavras, marca seis, e essa é exatamente a diferença entre ter número e ter dado.

Essa medida já reprovou o texto errado, e o registro do erro vale mais que o acerto. Duas crônicas do Machado saíram com 75,3 e 75,0 contra o corte de 76, e a conta inteira vinha dali: 621 e 633 palavras, nenhum número. Crônica de jornal de 1880 não tem por que trazer dado, e cobrar isso dela era o medidor reprovando o gênero. A regra escrita antes da medição diz que, quando um texto humano de referência cai, os errados são os pesos. A medida ganhou piso de 800 palavras e as duas crônicas voltaram para a faixa limpa.

O que a medição prova, e o que ela não prova

Depois dessa correção, os 40 documentos humanos ficaram entre 88,5 e 100, nenhum abaixo da faixa limpa. Seis textos gerados sem direção nenhuma ficaram entre 41,6 e 75,2, os seis fora dela. Os dois conjuntos não se sobrepõem.

Isso prova uma frase, e só ela: a ferramenta não reprova texto humano. Não prova que ela separe texto de máquina de texto escrito à mão, e detector nenhum prova isso. O que existe são padrões de escrita medidos com régua declarada, e é por isso que a nota daqui vem com a conta aberta do lado: cada família, quantas marcas, quantos pontos, para você discordar item por item.

O corpus ainda não está versionado no repositório. Ele é remontável por script, com Internet Archive, API da Wikipédia e Agência Brasil, e enquanto não estiver commitado essa trava roda na mão, não na integração contínua. Está escrito aqui porque uma página que cobra fonte dos outros deve a própria.

Esta página passou na própria ferramenta

Colar este artigo no analisador é o teste mais óbvio que existe, e quem não fizesse estaria escondendo alguma coisa. A prosa desta página tira 93,8 de 100, medido em 8 de agosto de 2026. O que falta para chegar a 100 são cinco marcas, e as cinco são expressões que este texto cita para explicar o custo delas: uma muleta, um adjetivo vazio e três conectores. Nenhuma das onze medidas de forma disparou. A lista de cima fica de fora da conta por ser tabela, não prosa.

A lista serve para reconhecer; consertar é outro trabalho

Achar “é importante destacar que” no seu texto é fácil depois de ver a lista. Difícil é reescrever o parágrafo inteiro que nasceu torto embaixo dela. O analisador marca cada ocorrência no seu texto, mostra a conta de cada família e monta o comando que você cola na sua própria IA para reescrever sem as muletas. Nada sai do seu navegador, e o texto não vai parar em servidor nenhum.