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Como funciona o dígito verificador do CPF

Os dois últimos dígitos do CPF não identificam ninguém. Eles são uma conta feita em cima dos nove primeiros, e existem para que um número digitado errado seja recusado na hora, sem consultar coisa nenhuma. Abaixo está a conta inteira, com um exemplo que mostra as duas exceções da regra.

A conta do primeiro dígito

Cada um dos nove dígitos é multiplicado por um peso que começa em 10 e desce de um em um. No exemplo, a base é 123456788.

PosiçãoDígitoPesoProduto
1ª11010
2ª2918
3ª3824
4ª4728
5ª5630
6ª6530
7ª7428
8ª8324
9ª8216
Soma208

A soma dá 208. O resto da divisão por 11 é 10. Como o resto é 2 ou mais, o dígito é 11 menos o resto: 1.

A conta do segundo dígito

Agora são dez dígitos, porque o primeiro verificador entra na conta. Os pesos começam em 11 e descem igual. A soma dá 254 e o resto por 11 é 1 — aqui cai a outra metade da regra: resto 0 ou 1 dá dígito 0.

O CPF completo do exemplo fica 123.456.788-10. Ele fecha a conta, e isso é tudo que se pode dizer dele: pode ser o número de alguém, e a conta sozinha não responde se é.

O nono dígito diz a região de emissão

O folheto de educação fiscal da Receita Federal escreve isso com todas as letras: “o nono dígito do seu CPF corresponde à Região Fiscal do endereço informado no cadastramento inicial”. São dez regiões para vinte e sete unidades da federação, então o dígito agrupa estados.

Nono dígitoEstados
1Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins
2Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima
3Ceará, Maranhão, Piauí
4Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte
5Bahia, Sergipe
6Minas Gerais
7Espírito Santo, Rio de Janeiro
8São Paulo
9Paraná, Santa Catarina
0Rio Grande do Sul

Lista conferida contra o folheto da Receita Federal, as 27 unidades da federação, em 9 de agosto de 2026.

Por que o segundo dígito olha o primeiro

O segundo verificador é calculado sobre a base mais o primeiro verificador. Esse encadeamento é o que faz um erro em qualquer posição derrubar a conta, inclusive a troca de dois dígitos de lugar, que é o erro de digitação mais comum e o que uma soma simples deixaria passar. Como cada posição tem peso diferente, trocar o quarto com o quinto muda a soma.

É por isso que o validador daqui devolve um erro por vez. Quem errou o décimo dígito recebe só a queixa do décimo: o décimo primeiro depende dele, então reclamar dos dois mandaria a pessoa procurar dois defeitos onde existe um.

111.111.111-11 fecha a conta e não é CPF

As dez sequências de onze dígitos iguais passam na aritmética. Rodamos a conta nas dez, de 00000000000 a 99999999999, e as dez devolvem nos verificadores o próprio dígito repetido. Validador escrito só com o módulo 11 aceita todas, e nenhuma delas é emitida.

Fora essas dez, cada base de nove dígitos produz exatamente um par de verificadores. São 999.999.990 números que fecham a conta — e é por isso que fechar a conta não quer dizer existir. O cadastro real tem uma fração disso.

O que a Receita publica, e o que a gente não achou

O significado do nono dígito é oficial e está no folheto linkado acima, com a lista das dez regiões. A conta dos dois verificadores é outra história. Procuramos publicação da Receita que descrevesse esse cálculo no próprio folheto, na página de regiões fiscais, na base de normas da Receita e na central de documentos técnicos, e não achamos. Não achar não é provar que não existe, e a frase fica assim mesmo.

O contraste é curioso: para o CNPJ alfanumérico, que entra em vigor em julho de 2026, a Receita publicou um manual de cálculo do dígito verificador e arquivos de referência. Para o CPF, o algoritmo do módulo 11 circula há décadas em apostila, blog e código copiado, sem documento de origem à vista. Ele funciona, o que dá para verificar é que qualquer sistema sério recusa número que não fecha essa conta, e é essa a natureza da prova disponível.

Conferir a conta não é consultar a Receita

Nenhuma ferramenta que roda no seu navegador sabe se um CPF existe, de quem é ou se está regular. O que dá para saber sem perguntar a ninguém é se o número fecha a própria conta e qual região fiscal o nono dígito indica.

Consulta existe, e vale dizer com precisão qual: a Receita mantém o Comprovante de Situação Cadastral no CPF, público e gratuito. Só que ele exige duas coisas ao mesmo tempo, o número e a data de nascimento do titular. Com um número gerado você não tem a segunda, então a consulta não confirma nada — e é por isso que nenhuma ferramenta de navegador consegue dizer se um CPF pertence a alguém.

O validador faz essa conta e, quando não bate, diz qual dígito devia estar ali em vez de responder “inválido”. O gerador resolve o outro lado: número que fecha a conta para preencher formulário em teste, sem inventar na mão e sem cair numa das dez sequências que todo cadastro recusa. Os dois rodam no seu navegador.