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Quanto a Lei 15.270 aumenta o salário líquido — e quem ela não muda em nada

“Isenção até R$ 5.000” não quer dizer que todo mundo até R$ 5.000 ganhou dinheiro. Calculamos o imposto com a Lei 15.270 contra o imposto sem ela, faixa por faixa: quem ganha até R$ 3.036,00 não mudou nada, e o maior ganho fica bem no topo da faixa, não embaixo.

Quanto sobra a mais, faixa por faixa

Salário brutoLíquido sem a leiLíquido com a leiGanhoGanho em %
R$ 1.621,00R$ 1.499,42R$ 1.499,42R$ 0,000,00%
R$ 2.500,00R$ 2.299,31R$ 2.299,31R$ 0,000,00%
R$ 3.036,00R$ 2.783,08R$ 2.783,08R$ 0,000,00%
R$ 4.000,00R$ 3.516,64R$ 3.631,40R$ 114,763,26%
R$ 4.500,00R$ 3.868,10R$ 4.068,49R$ 200,395,18%
R$ 5.000,00R$ 4.185,60R$ 4.498,49R$ 312,897,48%
R$ 5.500,00R$ 4.491,70R$ 4.738,02R$ 246,325,48%
R$ 6.000,00R$ 4.793,64R$ 4.973,39R$ 179,753,75%
R$ 7.000,00R$ 5.417,14R$ 5.463,75R$ 46,610,86%
R$ 7.350,00R$ 5.635,36R$ 5.635,36R$ 0,000,00%

Sem dependente, sem pensão e sem vale-transporte — os três mudam a conta, e a calculadora resolve o seu caso. “Sem a lei” é o imposto pela tabela, antes da redução do art. 3º-A; “com a lei” é o que sai do contracheque desde janeiro de 2026. O INSS já está descontado dos dois lados, e é o mesmo nos dois — a lei não mexe nele. Conferido em 12 de agosto de 2026.

Por que R$ 3.036 é o corte, e não R$ 0

A redução da Lei 15.270 não é dinheiro novo: ela abate um imposto que existia. Onde não havia imposto, não há o que abater. Sem dependente e sem pensão, o desconto simplificado de R$ 607,20 sozinho já derruba a base de cálculo para dentro da primeira faixa da tabela do IRRF — que é isenta desde antes de qualquer lei nova — em todo salário até R$ 3.036,00. Abaixo disso o imposto pela tabela antiga já era R$ 0,00, e uma redução não tira dinheiro de onde não havia nada a tirar.

É o mesmo número que sustenta o primeiro dos cinco exemplos que a Receita Federal publicou para explicar a lei — o do João, fixado em R$ 3.036,00 sem explicar de onde veio. Aqui vem: é a soma do teto da faixa isenta da tabela (R$ 2.428,80) com o desconto simplificado (R$ 607,20). A página desta calculadora já cita as duas fontes separadamente; a soma é o que faltava dizer.

O maior ganho não é para quem ganha menos

Entre os salários calculados, quem mais ganhou em reais foi quem recebe R$ 5.000,00 por mês: mais R$ 312,89 por mês, um aumento de 7,5% no líquido. Faz sentido pela forma da lei: a redução SOBE junto com o imposto até R$ 5.000 (o teto dela, R$ 312,89, é desenhado para bater exatamente com o imposto de quem ganha R$ 5.000) e depois DESCE em linha reta até sumir em R$ 7.350. O ganho não é maior para quem ganha menos — ele cresce com o salário até o topo da primeira faixa, e só depois começa a encolher.

Menos da metade da faixa “isenta” ganhou alguma coisa

A lei é lida como “isenção para quem ganha até R$ 5.000”, e essa faixa vai de R$ 0 a R$ 5.000. Mas o ganho só começa em R$ 3.036,00 — então dos R$ 5.000 que a faixa cobre, só os últimos R$ 1.964,00 viram dinheiro a mais no bolso. Isso é 39% da faixa. Quem ganha um salário mínimo — R$ 1.621,00 em 2026 — está inteiro do lado que não muda: nenhum dos dois exemplos mais baixos da tabela acima, R$ 1.621,00 e R$ 2.500,00, tem uma linha de ganho diferente de zero.

Acima de R$ 7.350, como se a lei não existisse

A redução desce em linha reta a partir de R$ 5.000,01 e chega a zero exatamente em R$ 7.350 — é onde a reta da lei (R$ 978,62 − 0,133145 × rendimento) cruza o eixo. Dali para cima, o imposto retido é idêntico ao que era pago em dezembro de 2025: a última linha da tabela, R$ 7.350,00, fecha em ganho zero. Não é um limite que precisou ser varrido salário por salário para valer: o próprio módulo trava nele (rendimentoTributavel >= TETO_DA_REDUCAO), então continua zero para qualquer bruto maior — em R$ 1.000.000,00, por exemplo, onde a contribuição do INSS também já travou no teto havia muito.

O que esta conta assume

  • Sem dependente, sem pensão, sem vale-transporte. Um dependente muda qual desconto é mais vantajoso e desloca o limiar; pensão e vale-transporte mudam a base ou o líquido direto. A calculadora tem os quatro campos.
  • É o salário do mês, não o 13º. A mesma redução alcança o décimo terceiro por texto expresso da lei (§ 3º do art. 3º-A), com uma conta um pouco diferente porque o 13º é tributado em separado — isso é assunto da calculadora de 13º salário, não desta tabela.
  • INSS de 2026. Os cinco exemplos que a Receita publicou usam a tabela de INSS de 2025, porque foram escritos em dezembro daquele ano; esta tabela usa a Portaria de janeiro de 2026, que é a que vale hoje. A diferença não muda o argumento — o INSS é igual dos dois lados da comparação, com ou sem a Lei 15.270 — só desloca o valor absoluto do líquido em alguns centavos.

De onde vêm os números

Toda linha da tabela sai de contribuicaoInss e impostoDeRenda, os mesmos módulos que a calculadora de salário líquido usa e que salario.test.ts confere contra os cinco exemplos publicados pela Receita Federal — nenhum valor deste artigo foi digitado à mão. O que este texto tem de próprio não é a lei, que já está explicada na página da calculadora: é a comparação entre o imposto de antes e o de depois, faixa por faixa, que a calculadora não mostra porque ela responde um salário de cada vez.